domingo, 23 de fevereiro de 2014

Dias de Chuva

Foto Vera Lucia
Dias de chuva... quantos dias de chuvas já vivi, quanta chuva já vi!Quantas chuvas em diferentes fases da vida. Ela chega muita das vezes calmamente, sem trovões ou relâmpagos, apenas cai. Épocas que chove dias e dias e outras que são apenas chuva de verão. Dias e dias de chuva em nossas vidas! A foto ao lado tirei nas  últimas férias, Nesse dia estava feliz, alegre, me sentindo leve e solta em companhia de pessoas queridas. Era uma chuva gostosa quis registrar. Houve muitas e muitas chuvas que preferi esquecer, o som dos pingos caindo eram como marteladas no coração e o sentimento de solidão e vazio que teimava em me assolar, sempre eram intensos em dias assim. Decidi que não gostava de dias de chuva. Que graça tinha? Me faziam sentir triste e a melancolia  me lembrava quantos ventos e temporais vivi, quantas chuvas... Eu saltava de alegria quando amanhecia e o sol raiava, tão lindo e imponente, todo majestoso, me fazendo esquecer o dia anterior. Costumo dizer que a vida é um constante aprendizado, temos que lidar com os fantasmas, com os sentimentos, lutar e vencer. Não podemos ficar parados no caminho, sentar em um pedra e lamentar o que passou,  deixar o medo nos bloquear impedindo de olharmos o horizonte. Quando vivemos certos momentos, o futuro parece incerto e sem expectativas, porque nosso olhar está no hoje, na realidade. Salmista Davi nos incentiva a olhar para os, montes de onde vem o socorro (Salmos 121:1), Deus é o dono da Vida e do clima. Ele permite dias de chuvas , dias de temporais, pois sabe que, o arco-iris só pode ser visto após a chuva ir embora. Com o passar dos dias, do tempo,  passei a prestar mais atenção em muitas coisas, ver beleza até mesmo no caos ao meu redor. E porque não em um dia de chuva? Fiz as pazes com os dias sem cor, com o nublado da vida! Em uma manhã chuvosa, olhei pelas janelas da minha existência e me pus a observar como em um túnel do tempo, quantas mudanças, quantas viravoltas! Observei que pessoas que eram importantes até hoje, são meras lembranças, algumas delas ficaram para trás no caminho, fazendo parte do rol das memórias. Momentos lindos e maravilhosos, me vi sorrindo, sonhando, acreditando... firmei o olhar e logo vi a decepção estampada em meu rosto, lágrimas caindo diante as decepções. A melancolia quis me abater, mas não dei ouvido à sua voz. Continuei observando. Vi colegas, amigos, paixões, ouvi as frases ecoando no ar :" Não poderei viver sem você, sem vocês!Como vai ser?'' e vi que passou, o tempo passou, elas passaram. Pessoas se foram, outras chegaram e a vida seguiu o curso. Senti uma pontada aguda, que dor! Saudade! Sim saudades! Quantas conversas, quantos devaneios, quantas confidências, quantas juras e hoje só a saudade. A roda da vida girou, eu andei, e muitas coisas ficaram pra trás, aprendi a desapegar, a não lamentar as circunstâncias e somente aprender e entender as suas linguagens. Entendi que solidão e sentir-se sozinha são coisas distintas. Olhei mais perto, no hoje e vi pessoas queridas, novas amizades de perto e de longe, me senti mais segura comigo mesma, crendo cada dia mais no amor de Deus, e tendo objetivos mais fortes, sabendo onde quero chegar e quem quero ter ao meu lado. Ouvi ao longe o pingar da chuva, senti no meu rosto a brisa que normalmente acompanham, senti frio. Saí do túnel e fechei a janela, sentei e fiquei observando a chuva, que caia torrencialmente, começou tão devagar e agora se intensificava. Senti uma brisa suave me envolver, a paz invadir minha alma, e sorri. Sim, sorri em um dia de chuva! Agradeci ao dono do universo por esse dia, um dia que me ensina tanto como os dias de sol. Ouvi uma voz doce e suave a me dizer:'' Nao temas... Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás...'' Isaias 43:2. Para cada dia nublado e cinzento, Deus tem muitos dias de sol a nossa espera, precisamos apenas passar pelo dias de chuva, aprender com os dias de chuva, amar os dias de chuva!!!

Vera Lúcia

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Simplicidade da Vida

A vida é simples... basta vivê-la. E como a complicamos tanto.
Houve um tempo que ''tempo'' era um palavra complicada para ser administrada na minha cabeça. Acordava com celular tocando, atrasada muitas das vezes, tantas e tantas coisas para resolver que não parava pra tomar café da manhã direito. Corria para administrar tudo, resolver tudo, dar a atenção a todos, e ao final do dia já exausta pensava não tenho tempo, não posso perder tempo com coisas simples e pequenas, a corrida pelo sucesso e conquista profissional ocupava toda minha vida, porque não dizer, a corrida pela sobrevivência em um mundo de aparências e desilusão. Sim o tempo era meu inimigo e também meu esconderijo. Meu bode expiatório. Recordo-me que um dia ouvi alguém comentar ter ficado horas observando uma tartaruga andar na areia. Achei uma total tolice e perda de tempo. E a vida seguia seu curso, eu me acabando brigando contra o tempo e ao mesmo tempo achando estar ocupando meu tempo com coisas nobres que faziam minha vida valer a pena. Mal via que estava morrendo e a verdadeira  essência da vida sendo sufocada, já nem ouvia mais a  sua voz. Quando mal conseguia respirar, me dava ao luxo de fugir e sentar a beira mar, ficando  minutos observando as ondas,  indo e vindo, molhando meus pés algumas vezes, e ali me perdia naquela imensidão azul. Meu castelo de areia permanecia intacto, e lá na torre como a Rapunzel estava eu presa, sem saber a saída, sentindo a vida fugindo do meu controle. Eram momentos bons e únicos, me acalmavam. Lembrava que foi Deus o soberano que deu limites as ondas,  ele se preocupou com esse detalhe, por certo não esqueceria de mim, de acalmar a maré  e não deixaria o meu barquinho já frágil e tão solitário, tombar na imensidão do mar da vida. Sentia falta de um abraço, um carinho, de uma palavra de incentivo, Menos cobrança  e mais compreensão, se isso fosse possível no meu habitat. Um dia o mar se agitou e altas ondas bateram em meu barquinho, porque não dizer em meu castelo de areia... Sim, uma onda bravia bateu e destruiu o que levei tanto tempo para construir, vi diante dos meus olhos as paredes se demolindo e o barulho foi estrondoso. Nesse momento lembrei que Jeremias disse que Deus deu limite as ondas, e isso me confortou, pois se a onda bravia derrubou meu castelo, por certo recebeu ordem do criador do universo para que assim acontecesse. Quando olhei e vi os cacos que sobraram, as ruínas de uma vida, tantas convicções, tanto empenho, tanta corrida e por nada. Tudo ruiu e desabou, e só restaram os cacos. Recordei-me de Jó, pois quando ele estava no vale de cinza, ele tinha um caco de telha com o qual aliviava a dor. Deus em sua soberania mesmo que nosso olhos mortais não possa visualizar sua presença nas agruras do caminhar, Ele sempre nos dá um caco de telha, para que possamos  passar sobre as feridas e quando sangrarem , Ele possa com o consolador óleo de Gileade curar  e restaurar. Passei dias, horas olhando as ruínas, algumas lamentações eram inevitáveis. Só caco, só ruína, sonhos? Amor? Utopias!!! O que me restou? Traições, calúnias, dores e dores. Minha alma gemia, noites em claro, dores física e psicológicas. Em meio aos dilemas de um desmoronamento, a reconstrução pode demorar tempo, e custar muito caro. Um dia fui transportada ao capítulo 18 do livro do profeta Jeremias, desci até a casa do oleiro e avistei o vaso se quebrar, e como o oleiro com tanto carinho juntou os cacos, e recomeçou seu trabalho, um movimento por vez, sem pressa, e quando acabou sua obra, o vaso era muito, muito bonito, nem parecia mais o vaso que se quebrou. O oleiro da Vida sabe  como reconstruir, sabe bem onde modelar, onde apertar e como curar as feridas. Em lágrimas, me joguei aos braços do Oleiro, pude sentir o calor do seu abraço, ah!!! Quanto tempo esperava me sentir assim, cuidada, amada, estava tão cansada em ser forte, cansada de não ser seu mesma. Contei ao Oleiro que estava doendo o tombo e que, as rachaduras foram fortes, porém, por mais que doesse, queria ser reconstruída e ser um vaso lindo e precioso, qual as flores mais lindas da primavera tivessem orgulho em estar. Onde as rosas pudessem exalar o perfume suave e encantar quem passasse ao redor, e todos soubessem que esse vaso foi modelado pelo Deus dos céus e terra, A partir desse dia, renasci, como a lenda da Fênix, qual amo tanto, comecei a renascer das cinzas. Um dia por vez, um passo por dia e comecei a andar e apreciar as belezas da vida. As coisas simples que outrora achava perda de tempo. Passei a ouvir mais e falar menos, passei a consolar mais do que ser consolada, me peguei sorrindo após ouvir um simples "Bom dia!". O céu ficou mais azul toda vez que erguia os olhos para ele, as estrelas a noite, brilhavam tanto que muitas vezes me perguntei: "Onde eu estava que nunca percebi?" E as noites de luar? O Por do sol? A beleza da natureza, o cantar dos pássaros, o barulho das ondas soavam como música, me dando prazer, como se estivesse ouvindo uma sinfonia. Entendi o que Deus queria de mim, que eu vivesse!! Que entendesse que a vida é simples, e que Ele se manifesta nas coisas simples, no sorriso de um criança, no abraço de um amigo, ou simplesmente naquele pior dia, quando me sinto sozinha e esquecida, o fone toca e ouço alguém dizer:" Está tudo bem?'' Deus se importa com os meus sentimentos, com meus dilemas, sonda meu coração. Hoje, sei o significado da "Felicidade" que todos buscamos, vivo intensamente cada momento. Se é de riso, eu curto o máximo, se o momento é de lágrimas, choro até ficar com os olhos inchados. Cada momento é único e não volta mais. Cada pessoa encontrada no caminhar, pode ser a pérola que faltava no nosso tesouro particular. Cada amizade nova é brindada com louvor e o amor?? Bem, o amor, que outrora eu julgava não existir e ser pura utopia e imaginação fértil dos poetas,  é algo sublime e digno se ser cuidado com todo zelo possível quando encontrado. Aprendi que a simplicidade da vida é encantadora e fascinante.
" Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite'' Salmos 19:2

Vera Lúcia


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Noites da Vida


Nem sempre acordamos bem, as vezes nem dormimos direito, parece que fizemos uma viagem pelo subconsciente,  ficando mais cansado que a noite anterior.Quantas preocupações, quantos divagações pelos dilemas da vida! Quantas noites longas, e pensar que o sol vai nascer loguinho, parece até utopia. É na noite que os inimigos invisíveis aparecem, é na noite que a solidão bate à porta e entra sem autorização, senta aos pés da cama e se acha rainha na nossa vida. Sim, há noites intermináveis!! Durante o dia corremos tanto, e disfarçamos bem, quantos e quantos sorrisos disfarçando a dor que é tão intensa, as angústias da alma que somente um Deus infinito em misericórdia, um Deus que me ama incondicionalmente para prestar atenção a dor que dilacera a cada segundo... Quando o pôr do sol chega, e os raios  vão se despedindo é como se levassem consigo  a força de lutar, e deixasse apenas um sopro, um vislumbre da esperança. O Pôr do Sol tão lindo na sua essência e diante de muitos olhares tão triste, pois ele anuncia a chegada da tão indesejada noite. Me pergunto muita das vezes, como seria a vida se não existisse a noite? Sim, não existiria vida sem a noite! Faz-se necessário passarmos as noites da vida, faz-se necessário o pôr do sol, mesmo que tristes, para que o amanhecer chegue  e quando os raios de sol baterem em nossa porta tragam a brisa da esperança e que possamos ouvir a doce suave voz da manhã dizendo:" Novo dia...'' Em noites longas e sombrias, meus pensamentos viajam e encontro-me com o salmista Davi, que passou por tantas noites em sua vida, e o vejo citando pra si o salmo  30.5 '' ...O choro dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã'' entendo que ele dizia para sua alma :" a noite se faz necessário para que a alegria chegue com os raios de sol, calma minha alma, logo a noite chegará ao fim, estou aprendendo com as dores da noite, com as dúvidas e per causos que acompanham as noites da vida''. Me anima lembrar que Davi o homem segundo o coração de Deus, foi assim chamado pelo próprio Deus, o homem que foi rejeitado e incompreendido por aqueles que ele amava, tendo o pasto das ovelhas como cenário dos seus sonhos, viveu muitas noites! Quantas noites viveu Davi tendo a lua e as estrelas como companheiras e o refúgio nos salmos que acalentavam sua alma. Um dia a umas das noites  passou  e Davi recebeu o chamado do profeta Samuel para ser ungido o futuro Rei de Israel, O menino que sonhou junto ao luar, o menino que viu tantos pôr de sol, que viu sua esperança indo junto com os raios e a escuridão e solidão da noite tomando conta do ambiente, tendo o brilho das estrelas como farol e os salmos pra  expressar sua confiança no altíssimo, ele foi ungido rei, recebeu a promessa do trono. Uma mudança total de vida! E as noites chegaram ao fim?? Não!! Até Davi chegar ao trono viveu muitas e muitas noites... mas em todas eu vejo Davi dizendo à sua alma :" Não desanime.. espera em Deus, confie... acredite... '' Sempre mantendo a chama da esperança viva no seu coração, mesmo quando foi perseguido por Saul, quando teve que se esconder na caverna de Adulão. Um dia a noite de Davi chegou ao fim, e ele sentou-se no trono e foi o Rei de Israel, um homem que está na genealogia do Salvador, Jesus de Nazaré. Aprendo com Davi que preciso enfrentar e vencer as noites da vida, os momentos de abandono, de incompreensões, a solidão. Quando espero tanto e recebo tão pouco, quando me dou por inteiro e recebo migalhas. Quando a frustração e decepção  me impedem de ver os raios de sol em uma linda manhã, quando desejo não sair da cama. Preciso recomeçar todas as manhãs e dizer pra minha alma : " confie, persista, lute, viva!'' um dia a noite chegará ao fim e o pôr do sol no deserto da vida terá brilho, e meus olhos contemplarão o ir e o chegar do sol com outros olhos. Direi como Jó: "... eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará  sobre a terra.'' Jó 19:25
 Vera Lúcia