sexta-feira, 16 de julho de 2010

Inverno em Minha Vida

Tenho vivido dias de grande aprendizado, os meses de inverno sempre foram significativos em minha vida. Esses não são diferentes. Com o desenrolar dos acontecimentos, as batalhas diárias, as vezes esquecemos os milagres que Deus realizou em desertos já vividos. Hoje pela manhã o Espiríto Santo me fez lembrar das experiências obtidas no ano de 2006, em meses de inverno. Quero compartilhar com vocês. Nessa época eu gerenciava uma empresa gráfica, meu ramo de trabalho, e deparei-me com uma grande estafa. Somos humanos e teve momentos que quase esqueci desse detalhe. Grandes responsabilidades no trabalho, mas a vida particular e as atividades exercidas na igreja, tomavam o meu dia. Eu não tinha tempo para descansar, aproveitava o horário de almoço para bancos, enfim, o cansaço físico e mental foi tomando conta do meu corpo. Desencadeou-se com a saída de uma funcionária depois de grandes desgastes emocionais, e ainda ela tornou-se minha concorrente direta. Juntando com meu problemas particulares, fui perdendo as forças. Mesmo cansada continuava. Até o dia que ao acordar tudo girou e mal consegui ficar em pé, e ao chegar ao médico ele disse: "Menina quer morrer, continue". Estava com uma crise aguda de labirintite e com os sistema nervoso desgastado. Fugiu do meu controle e tudo desabou, deixei de lutar e me rendi a labirintite. O mundo desabou ao meu redor, as finanças viraram um caos, o opoio que esperei receber daqueles que amava não veio, e vivi um dos invernos mais terríveis da minha vida. Foram meses de angústia, tonturas e solidão. Por tudo o que eu mais tinha lutado e conquistado, parecia sem graça, sem cor. Resolvi ir embora da cidade, pedi a conta da empresa, passava meus dias sobrevivendo. Os dias passaram... Recebi um telefonema de uma ex-funcionária, a competência em pessoa, me dizendo estar voltando da Holanda e queria trabalhar novamente na gráfica. Em outros dias eu pularia de alegria e diria: "Deus ouviu minhas orações", mas nesse dia eu disse: " Que bom, seja bem vinda". Até esse momento eu vivia em um emaranhado de dúvidas, sem forças para lutar. Sem procurar a direção divina para esses momentos eu havia decidido fugir. Abandonar a empresa que estava mal de vendas, não lutar na concorrência comercial, não enfrentar os problemas familiares e financeiros. Grandes mágoas formavam feridas que sangravam a todo instante. Mas nosso Deus não nos perde em nenhum momento, ele está ali presente, vendo nosso agir. Ele usa de multiformas para falar conosco, para nos dar direção. Os dias para a mudança de cidade se aproximava, já havia comunicado ao meu pastor e ele ainda me disse: "Você tem certeza?" respondi: "Tenho" ele me disse:" Mesmo sem concordar eu abençoo, farás falta". Alguns anos de trabalho e reconhecimento conquistado junto a esse homem de Deus e aos demais membros da Assembléia de Deus de Guaratuba-PR, nessa hora, não me comoviam. Nos últimos dias de agosto, me aprontava pra ir ao Círculo de Oração, qual eu era a segunda dirigente, alguém bateu na porta, ao abri-la vi a moça que chegara da Holanda e ela impulsivamente e alegremente me abraçou. Esse abraço mudou o rumo das minhas decisões. Um abraço como outro qualquer, mas um abraço que penetrou minha alma. Eu sentia o abraço de Deus. Era como se Deus estivesse ali, presente naquele abraço. Não sei transmitir em palavras o que senti naquele momento, mas uma coisa eu tinha certeza, não era da vontade do Senhor que eu fosse embora daquela cidade. No caminho para a igreja, falei a minha amiga e companheira de oração: "Não vou mais embora" ela perguntou-me o que iria fazer. Ainda não tinha certeza de como agir, o que eu sabia que tinha que lutar, não podia fugir, me entregar de vez a labirintite. Pedi ajuda a minha amiga, e comecei a orar, somente Deus podia me ajudar, me dar um escape, uma rota de ação. Somente o Deus de cura poderia me curar da labirintite. Começamos uma campanha de oração e todas as manhãs íamos orar, muitas vezes fui me arrastando, tontinha como se diz. E aos poucos fui sentindo as forças revigoradas, a tontura foi indo embora e fui deixando os remédios de lados. Reassumi minha posição na empresa, mas o que fazer e como fazer para aumentar as vendas, recuperar o tempo perdido, os meses de inverno frio e cinza. Todos os dias eu orava: "Senhor, preciso de um milagre" preciso, preciso, faz um milagre. Uma manhã dirigindo e orando a Deus ouvia a voz do Espiríto Santo me dizer:"Lembra de Moisés?Quando estava diante do mar, o que ele tinha na mão" essas palavras ecoaram na mente até a gráfica, e lá diante da minha mesa de trabalho, eu pensava e perguntava: "Deus o que tenho na mão que pode representar ou ainda vir a ser meu milagre, o quê?"Nisso olhei para o lixeiro e vi um folder impresso pelo concorrente e pronto! Entendi o que Deus estava me dizendo. Eu tinha a Gráfica!!! Esse seria o canal para meu milagre!! Se os concorrentes podiam eu também poderia ir em busca de clientes , de vendas. Senti ânimo e orei pedindo estratégias. E apartir daquele momento senti a mão de Deus presente em cada movimento, cada passo. Fui a luta, para a rua, vender. E a cada dia eu via Deus agir, os clientes sendo reconquistados, outros novos vindos. E o milagre financeiro que tanto pedi, veio atráves do meu trabalho, era o pouco de azeite que eu tinha em casa. E a labirintite? Foi-se embora, e nunca mais tive crises. Foi um longo inverno, mas quando chegou a primavera, pude sentir o perfume das flores, ver o brilho do sol. Aprendi aos pés do mestre, em oração, que somente com a presença do nosso Deus, sentindo seu abraço, é que pude vencer mais um inverno em minha vida!!!

Vera Lúcia 16/06/2010

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